SICARD Hierarquização de Demandas
Hierarquização de projetosElegibilidade, favorabilidade e ajuste
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MAD — Módulo de Apoio à Decisão

As três fases da hierarquização

Elegibilidade territorial, mérito técnico-territorial e ajuste do projeto: três leituras independentes e complementares para formar uma decisão tecnicamente defensável.

Fase 1 · Risco e restrição Fase 2 · Favorabilidade territorial Fase 3 · Ajustes finos 20 lâminas Atualizado em julho de 2026

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Três perguntas, três respostas

A hierarquização separa o que não pode ser compensado do que pode ser ponderado.

Primeiro se verifica se o projeto pode seguir. Depois se mede seu mérito territorial. Por fim, ajusta-se a prioridade conforme as condições reais do projeto.

01

Pode seguir?

Filtros de restrição e risco classificam a elegibilidade territorial.

02

Onde há mais mérito?

A favorabilidade mede necessidades e vantagens técnico-territoriais.

03

Quão viável é?

Ajustes finos incorporam maturidade, execução, governança e riscos.

Arquitetura de ponta a ponta

Os blocos temáticos preparam as evidências; o fluxo de hierarquização consolida a decisão.

Bibliotecas homologadasrestrição, risco e favorabilidade
Dados de projetosgeometria, rede e atributos
Espinha dorsalFases 1, 2 e 3 independentes
Síntesefiltro + scores ponderados
Ranking homologadoresultado versionado e auditável
Fase 1

Elegibilidade territorial

Restrições segregam; riscos geram ressalvas e podem alimentar a Fase 3. Não produz ranking.

Fase 2

Mérito técnico-territorial

Extrai da superfície homologada um score espacial normalizado para cada projeto.

Fase 3

Ajuste do projeto

Pondera maturidade, viabilidade, governança, riscos e outros atributos intrínsecos.

As fases podem ser executadas isoladamente ou combinadas; resultados individuais nunca devem ser apagados pela síntese.

Justificativa metodológica

A divisão existe porque há três perguntas decisórias que não podem ser confundidas.

1 · Filtros de risco e restrição

O projeto pode seguir?

Trata impedimentos, conflitos e ressalvas territoriais. A resposta é prioritariamente categórica: restringir, admitir com ressalva ou admitir.

2 · Favorabilidade territorial

Onde o projeto produz mais mérito?

Mede continuamente as vantagens e necessidades do território e da rede. A resposta é um score comparável entre 0 e 1.

3 · Ajustes finos

Quão executável e oportuno ele é?

Considera maturidade, custo, prazo, governança e riscos próprios do projeto. Ajusta o mérito sem substituir a leitura territorial.

Sem a etapa 1: uma nota alta poderia compensar matematicamente um impedimento legal ou técnico.
Sem a etapa 2: prontidão administrativa poderia ser confundida com benefício territorial.
Sem a etapa 3: projetos territorialmente bons, mas inexequíveis, ficariam artificialmente empatados.
Como cada critério encontra sua etapa

O destino do critério é definido por sua semântica, não pelo formato do arquivo.

Pergunta de classificaçãoSe a resposta for “sim”EtapaTratamento
A ocorrência pode impedir ou segregar o projeto?É uma condição territorial excludente.FiltrosRestrição; funciona como gate, não como nota compensável.
A ocorrência exige atenção, mas não impede?É exposição territorial relevante.FiltrosRisco; gera ressalva e pode virar penalidade nos ajustes finos.
O valor existe no território ou na rede antes do projeto?Pode ser medido por localização, corredor ou área de influência.FavorabilidadeSuperfície/indicador normalizado e extraído para o projeto.
O valor só existe porque o projeto foi definido?Depende de escopo, orçamento, prazo, licenciamento ou governança.Ajustes finosAtributo normalizado e ponderado no nível do projeto.
O fator mistura território, rede e projeto?É híbrido e deve ser decomposto.Mais de umaCada componente entra uma única vez, com rastreabilidade.
Regra antidupla contagem: o mesmo efeito não pode aparecer como risco, favorabilidade e ajuste apenas com nomes diferentes. Se um fator for decomposto, cada parcela precisa ter variável, fonte e papel próprios.
Conjunto inicial de critérios

Os critérios de partida geram produtos diferentes porque medem fenômenos diferentes.

Família no catálogo inicialExemplosProduto geradoPor que vai para essa etapa
Impedimentos e conflitos espaciaisárea protegida, terra indígena, conflito socioambiental, área sensívelcamadas consolidadas de restrição e riscoA incidência espacial precede a pontuação e pode alterar a elegibilidade.
Condições locacionais em grademassa econômica, desigualdade regional, vulnerabilidaderasters normalizados de favorabilidadeVariam continuamente no espaço e podem ser agregadas pela geometria do projeto.
Desempenho e conectividade de redeVDM, saturação, acidentes, tempo, acessibilidade, integração intermodalindicadores de segmento/corredor incorporados à favorabilidadeDependem da topologia e do fluxo da rede, não de simples presença territorial.
Atributos intrínsecosCAPEX, maturidade, prazo, fonte de recurso, pendências, apoio institucionaltabela normalizada de ajustes finosNão existem como superfície; pertencem ao projeto e à capacidade de execução.
Fatores híbridospopulação beneficiada, competitividade, emissão evitada, conexão regionalindicador derivado no nível do projetoExigem combinar localização, rede e escopo antes da ponderação.

As nove dimensões do catálogo — técnica, financeira, econômica, social, segurança, ambiental, territorial, institucional e risco — organizam o tema. Elas não determinam sozinhas a etapa; quem determina é a natureza da variável derivada.

Modelo dos fatores

Os 55 fatores não pertencem ao mesmo tipo de modelagem.

ClasseOnde é calculadaExemplosPapel
GradeSuperfície contínuamassa econômica, prioridade socialfavorabilidade locacional
RedeSegmentos, nós, corredores e ODVDM, saturação, acidentes, acessibilidadedesempenho/conectividade
ProjetoAtributo intrínsecoCAPEX, maturidade, prazo, pendênciasviabilidade e execução
HíbridoLocalização + rede + escopopopulação beneficiada, conflito ambientalefeito contextual do projeto
Implicação: uma única grade estadual não substitui análise de rede nem atributos de projeto. A agregação final acontece no nível do projeto.
Preparação da triagem territorial

Fase 1: transformar fontes diversas em restrições e riscos confiáveis.

Importarfontes oficiais ou homologadas
Validargeometria, CRS, conteúdo
Normalizarcampos e topologia
Classificarrestrição, risco ou derivação
ConsolidarIdentity/overlay equivalente
Homologarpublicar na biblioteca

Por que Identity?

Particiona sobreposições e preserva os atributos de origem, permitindo explicar qual fonte, fundamento, severidade e área afetaram cada projeto.

Conflitos de campos

Atributos iguais recebem prefixo da fonte, como funai_ti__nome, sem sobrescrever campos de controle.

Fase 1 · Conceitos

Restrição e risco ocupam o território, mas produzem decisões diferentes.

Restrição

Condição potencialmente impeditiva

É uma ocorrência com fundamento legal, regulatório ou técnico capaz de impedir, segregar ou exigir tratamento excepcional para a implantação.

Exemplos: terra indígena e unidade de conservação de proteção integral, quando a regra homologada as classificar como incompatíveis com o projeto analisado.

Efeito: o projeto fica restrito; uma nota alta em outra dimensão não compensa o impedimento.

Risco

Exposição a evento ou conflito adverso

É uma condição que não proíbe automaticamente o projeto, mas pode aumentar custo, prazo, impacto, incerteza ou necessidade de mitigação.

Exemplos: suscetibilidade a inundação, área contaminada, zona de amortecimento, instabilidade geotécnica e interferência com infraestrutura existente.

Efeito: o projeto fica apto_com_ressalva; o risco é descrito e pode ser quantificado na Fase 3.

A camada não decide sozinha: tipo de projeto, base legal, severidade, estágio da ocorrência, distância e regra da rodada determinam se o dado será restrição, risco ou apenas insumo para derivar risco.
Fase 1 · Onde obter os dados

Cada filtro precisa de uma fonte oficial, uma regra e uma data de referência.

Critério/camadaUso provávelFonte institucional candidataTratamento
Unidades de conservaçãorestrição ou risco por categoria/zonaDataGEO/SEMIL e CNUC/ICMBiofiltrar categoria; aplicar zona ou buffer homologado
Terras indígenasrestrição conforme situação jurídica e regradados geoespaciais e GeoServer da Funaipreservar fase administrativa, portaria e atualização
Áreas contaminadasrisco ambiental e de custoCETESB, disponibilizada também no DataGEOconsiderar classificação/situação e distância de influência
Inundação e processos geológicosrisco climático/geotécnicoSP Águas/ANA, Defesa Civil, IPT e bases estaduais homologadasseveridade, recorrência, suscetibilidade e área afetada
Zoneamento e áreas sensíveisrestrição, risco ou alertaDataGEO, ZEE-SP e planos municipais oficiaisinterpretar norma vigente para a tipologia do projeto
Servidões e infraestrutura existenterisco de interferênciaconcessionárias, operadores e cadastros patrimoniaisfaixa de domínio/segurança e conflito geométrico

“Fonte candidata” significa origem a ser validada pelo responsável técnico. Autoria, licença, escala, completude, vigência e data de atualização precisam constar nos metadados antes da homologação.

Regra de elegibilidade

A prioridade é categórica: restrição prevalece sobre risco.

Restrito

Intersecta restrição

Sai do ranking ordinário ou aparece em bloco separado. Inclusão forçada exige exceção registrada.

Apto com ressalva

Sem restrição, com risco

Permanece no ranking; ocorrências podem virar critérios penalizadores na Fase 3.

Apto

Sem interseções

Segue para as fases selecionadas sem ressalva territorial preliminar.

restrição? → restrito   |   senão, risco? → apto_com_ressalva   |   senão → apto
Mérito técnico-territorial

Fase 2: converter critérios espaciais em uma escala comum.

01

Operador

Distância, kernel, custo, interpolação, rasterização, rede ou operador homologado.

02

Raster bruto

Preserva a unidade original: metros, minutos, densidade, toneladas ou índice.

03

Normalização

Reescala para 0–1; relações negativas são invertidas após a transformação.

04

Álgebra

Combina superfícies pelos pesos AHP e gera a favorabilidade final.

nᵢ = (xᵢ − mín) / (máx − mín)    |    negativo: fᵢ = 1 − nᵢ

NoData obrigatório bloqueia a homologação; critérios opcionais exigem regra explícita de preenchimento ou reponderação.

Fase 2 · Duas representações

Superfície territorial e indicador de rede não são a mesma coisa.

Superfície de favorabilidade

Um valor para cada célula do território

É uma grade raster contínua. Cada célula recebe valor entre 0 e 1 que representa quão favorável é aquela localização segundo critérios normalizados e ponderados.

Exemplo: uma célula próxima a polos logísticos, em região socialmente prioritária e com alta massa econômica pode receber 0,82; outra, distante e pouco atendida pelos critérios escolhidos, 0,31.

Não precisa nascer de imagem de satélite: pode resultar de distâncias, densidades, dados municipais, interpolação e álgebra de mapas.

Indicador de rede

Um valor para segmento, nó, corredor ou OD

É calculado respeitando conexões e percursos reais da infraestrutura. Mede fluxo, saturação, tempo, segurança ou acessibilidade.

Exemplo: um trecho pode ter VDM alto, relação volume/capacidade crítica e 12 acidentes graves por 100 milhões de veículos-km; outro trecho conectado ao mesmo município pode ter desempenho oposto.

O indicador pode ser agregado ao corredor do projeto ou convertido em superfície somente depois do cálculo topológico.

Exemplo decisivo: a distância em linha reta até um porto é superfície; o tempo mínimo de viagem pela malha até esse porto é rede. Os dois números respondem a perguntas diferentes.
Fase 2 · Dados e operadores

Critério, fonte e operador formam uma única especificação técnica.

CritérioRepresentaçãoFonte institucional candidataVariável derivada
Demanda e saturaçãoredeDER-SP, ARTESP, DNIT, concessionárias e estudos de tráfegoVDM, V/C ou nível de serviço por segmento/corredor
Segurança viáriarede/superfície derivadaDER-SP e Infosiga/Dados Abertos SPacidentes graves por exposição e concentração de pontos críticos
Acessibilidade logísticaredemalhas oficiais e cadastros de portos, aeroportos e terminaistempo/custo mínimo até polos e ganho de conectividade
Prioridade socialsuperfícieIBGE e Fundação Seadeíndice territorial pelo inverso de renda, IDH ou atendimento
Massa econômicasuperfícieIBGE, Seade e bases setoriais homologadasempregos, produção ou PIB agregados à célula/área de influência
Integração intermodalrede/híbridooperadores e órgãos gestores de cada modonúmero/qualidade de conexões e redução do custo generalizado

A lista é orientadora. A rodada deve registrar cobertura, ano-base, unidade, resolução, direção do critério, método de normalização e compatibilidade entre fontes.

Álgebra e extração

Primeiro se produz a superfície; depois se mede cada projeto.

favorabilidade(célula) = Σ [rasterᵢ(célula) × pesoᵢ]   com   Σpesoᵢ = 1
score_fase2(projeto) = extrair(favorabilidade, geometria_projeto)

Ponto

Valor da célula que contém a localização representativa do projeto.

Linha ou corredor

Média ponderada por extensão, estatística por trecho ou buffer tecnicamente definido.

Polígono

Média, mediana, mínimo, máximo ou percentil zonal, com método registrado.

Auditabilidade: guardar a geometria usada e o método de extração é tão importante quanto guardar o score.
Ajuste por atributos

Fase 3: normalizar o que pertence ao projeto, não ao território.

TipoTransformaçãoExemplo
Numérico maior é melhor(x − mín) / (máx − mín)benefício/custo
Numérico menor é melhor1 − normalizadoprazo, risco, custo
Booleano0 ou 1 conforme direçãofonte assegurada
Ordinalescala homologadaideia 0,2 → executivo 1,0
Categóricotabela de conversãosituação fundiária
score_fase3 = Σ(valor_normalizado × peso) / Σ(pesos_aplicáveis)

Riscos detectados na Fase 1 podem entrar aqui como critérios de direção menor é melhor.

Fase 3 · Ajustes finos

Os dados vêm do projeto, da carteira e da governança de execução.

CritérioOnde encontrarConversão possível
Maturidade técnicacadastro do projeto, estudos e projetos básico/executivoescala ordinal: ideia → estudo → básico → executivo
Prazo e custocronograma, orçamento, CAPEX/OPEX e estudos de viabilidadenormalização menor é melhor ou por meta homologada
Fonte de recursoPPA, orçamento, convênio, concessão ou instrumento financeironão identificada → prospectada → identificada → assegurada
Licenciamento e situação fundiáriaprocessos administrativos, licenças, anuências e cadastro patrimonialstatus ordinal e penalidade por pendências críticas
Governança e dependênciasacordos, responsáveis, predecessores e obras associadasíndice de prontidão/complexidade institucional
Riscos herdadosinterseções e relatórios produzidos na Fase 1severidade × exposição × capacidade de mitigação
Receber tabelauma linha por projeto
Validartipo, faixa, duplicidade e ausência
Normalizarnumérico, booleano, ordinal ou categoria
Ponderarpesos normalizados
Diagnosticarscore, completude e contribuição
Qualidade dos atributos

Ausência de dado não pode virar nota silenciosamente.

Obrigatório ausente

Bloqueia a Fase 3 para o projeto até correção ou decisão metodológica explícita.

Opcional ausente

Pode ser ignorado com renormalização local dos pesos, desde que isso apareça no relatório.

Abaixo do limite

O score da Fase 3 fica indisponível; o projeto conserva os resultados das fases válidas.

completude_projeto = atributos_válidos / atributos_esperados
Referência metodológica: limite configurável, com 60% apresentado nos documentos como exemplo — não como constante universal.
Composição final

Filtro, mérito e ajuste têm naturezas diferentes.

Fase 1
gate de elegibilidade — sem peso numérico obrigatório
Fases 2 + 3
mérito territorialajuste
score_final = peso_fase2 × score_fase2 + peso_fase3 × score_fase3
peso_fase2 + peso_fase3 = 1

Alternativa

score_final = score_fase2 + ajuste_fase3, com teto e piso para impedir que fatores secundários desfaçam o ranking técnico.

Explicação obrigatória

Exibir ranking de cada fase, ranking final e contribuição responsável por cada mudança de posição.

Síntese das três fases

Cada fase responde a uma pergunta diferente — e preserva sua própria evidência.

Fase 1

Elegibilidade territorial

Restrições segregam; riscos geram ressalvas. Não produz ranking.

Fase 2

Mérito técnico-territorial

Extrai da superfície homologada um score espacial normalizado.

Fase 3

Ajuste do projeto

Pondera maturidade, viabilidade, governança, riscos e atributos intrínsecos.